Design Universal
Navegabilidade - Usabilidade - Acessibilidade

Os 7 Princípios do Design Universal - O que é Design Universal

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Introdução

Design Universal - Design Total - Desenho Universal

Este artigo tem por objetivo apresentar ao leigo uma noção dos princípios que regem um bom site na internet. Qualquer um, dentre os conceitos que serão abordados, poderia ser objeto de teses de mestrado ou doutorado. Em outras palavras, a discussão sobre estes temas não deve terminar, principalmente, por estarem relacionados com fatores que evoluem o tempo todo. Se você não for da área de pesquisa, procure acompanhar as descobertas e mantenha sua mente atualizada sobre o assunto. Se desenvolve sites, esses temas poderão guiar você na produção de um bom site.

NOTA: Se você é web designer, cuidado com as regras muito rígidas, tipo "nunca faça....", "nunca use ....", caso contrário, você "nunca vai criar ...". Atenção! Eu não disse que as regras não valem. Apenas, questione-se a respeito de quebrar alguma(s), e faça experiências!

 

Os 7 Princípios do Design Universal

Desenvolvidos em 1997 por um grupo multidisciplinar, composto de pesquisadores ambientais, designers de produtos, engenheiros e arquitetos, os
"7 Princípios do Design Universal (Design Total ou Desenho Universal)" são a representação das demandas comuns aos seres humanos, especialmente, no sentido da inclusão social.

Os textos são traduções dos originais. As imagens têm por objetivo concretizar os princípios. Procure, ao ler, observar a imagem correspondente, sempre, fazendo associações entre o texto e imagem. Este exercício ajudará na compreensão dos princípios. Ao final, você deverá abstrair e compreender como aplicar os mesmos princípios a todo tipo de design, INCLUISIVE, ao web design.

 

Os 7 Princípios do Design Universal - Uso Equitativo

Design Universal - Design Total - Desenho Universal - Uso Equitativo

Uso Equitativo (com igualdade)

O design é útil e comercializável para pessoas com habilidades distintas

 

  • Proporciona a mesma forma de utilização a todos os usuários: idêntica sempre que possível; equivalente, quando não for.
  • Evita marginalizar ou estigmatizar (qualificar pejorativamente) quaisquer usuários.
  • Provê a privacidade, proteção e segurança, igualmente, a todos os usuários.
  • Torna o design atraente a todos os usuários.

 

Os 7 Princípios do Design Universal - Flexibilidade no Uso

Design Universal - Design Total - Desenho Universal - Flexibilidade no Uso

Flexibilidade no Uso

O design atende amplamente a diversidade de preferências e habilidades individuais

 

  • Provê a escolha de formas de utilização.
  • Atende o acesso e o uso, tanto ao destro, como ao canhoto.
  • Facilita a exatidão e a precisão por parte do usuário.
  • Oferece adaptabilidade no ritmo de assimilação do usuário.

 

Os 7 Princípios do Design Universal - Uso Simples e Intuitivo

Design Universal - Design Total - Desenho Universal - Uso Simples e Intuitivo

Uso Simples e Intuitivo

Design de fácil uso e compreensão, considerando por baixo, experiência, capacitação, capacidade linguística, ou do nível de concentração momentânea do usuário

 

  • Dispensa complexidades desnecessárias.
  • Deve ser lógico dentro das expectativas e intuição do usuário.
  • Abrange uma ampla faixa de níveis de instrução e capacidades linguísticas.
  • Dispõe a informação de acordo com sua importância.
  • Fornece solicitação e retorno eficazes, durante e após a conclusão de uma tarefa.

 

Os 7 Princípios do Design Universal - Informação Perceptivel

Design Universal - Design Total - Desenho Universal - Informação Perceptível

Informação Perceptível

O design comunica a informação necessária com eficácia, considerando por baixo, tanto condições ambientais, como capacidades sensoriais do usuário

 

  • Apresenta a informação essencial com redundância, usando diferentes meios (pictográfico, verbal, tátil).
  • Provê o adequado contraste entre as iformações essenciais e as afins.
  • Maximiza a legibilidade da informação essencial.
  • Diferencia os elementos em formas que possam ser descritas (ou seja, torna fácil o instruir, e o orientar).
  • Provê compatibiliade com a diversidade de técnicas e equipamentos usados por portadores de limitações sensoriais.

 

Os 7 Princípios do Design Universal - Tolerância ao Erro

Design Universal - Design Total - Desenho Universal - Tolerância ao Erro

Tolerância ao Erro

O design minimiza riscos e consequências indesejadas de ações acidentais ou não intencionais

 

  • Dispõe os elementos de modo a minimizar riscos e erros: elementos mais usados, mais acessíveis; elementos perigosos, eliminados, isolados ou protegidos.
  • Provê avisos de riscos e de erros.
  • Provê recursos de segurança no caso de falhas.
  • Desencoraja ações inconscientes em tarefas que requeiram vigilância.

 

Os 7 Princípios do Design Universal - Baixo Esforço Físico

Design Universal - Design Total - Desenho Universal - Baixo Esforço Físico

Baixo Esforço Físico

O design pode ser usado com eficiência e conforto, e com um mínimo de fadiga

 

  • Possibilita que o usuário mantenha uma posição corporal neutra.
  • Que opere aplicando força razoável.
  • Minimiza as operações repetitivas.
  • Minimiza o esforço físico contínuo.

 

 

Os 7 Princípios do Design Universal - Tamanho e Espaço para Aproximação e Uso

Design Universal - Design Total - Desenho Universal

Tamanho e Espaço para Aproximação e Uso

Tamanho e Espaço para Aproximação e Uso

Provê tamanhos e espaços adequados para aproximação, alcance, manipulação e uso, observadas condições inferiores do tamanho do corpo, postura ou mobilidade do usuário

 

  • Provê uma linha de visão, livre e desimpedida, para os elementos importantes, quer o usuário esteja sentado ou de pé.
  • Tornar alcançáveis e de forma confortável, todos os componentes, quer o usuário esteja sentado ou de pé.
  • Acomoda diferentes mãos e capacidades de pegar elementos.
  • Provê espaço adequado para o uso de auxílios técnicos e de assistência pessoal.

Os 7 Princípios do Design Universal (Design Total ou Desenho Universal)
Copyright © 1997 NC State University, The Center for Universal Design
Fonte: Centre for Excellence in Universal Design - http://www.universaldesign.ie

 

Conceitos

Antes de prosseguirmos com Design Universal (Design Total ou Desenho Universal), procure lembrar ou conhecer os conceitos seguintes.

 

Interface

Segundo o dicionário Aurélio, uma Interface é um dispositivo físico ou lógico que faz a adaptação entre dois sistemas. O conjunto de botões do controle remoto da sua TV, é um dispositivo físico, pois você pode pegá-lo.
Com ele, você controla o aparelho de TV. Portanto, uma Interface entre dois sistemas: você e a TV.
Uma página de Internet, com seus links, faz o papel de Interface entre você e o conteúdo da página.
Assim, uma webpage é uma interface lógica, pois você não pode "pegá-la".

 

Usabilidade

Informação com FormaçãoContinuando com o exemplo do aparelho de TV, com controle remoto, dependendo do aparelho em si, fabricante, design, funções, existem controles-remotos que são simples de usar e de aprender a usar, enquanto outros são complexos com relação ao aprender e/ou ao seu uso.
Existem os que levam o usuário a errar com muita freqüência e aqueles que até uma criança atinge o objetivo logo na 1ª tentativa.
De um modo SIMPLIFICADO e com objetivo DIDÁTICO, podemos dizer que para mensurar essa qualidade de acertar ou errar, com mais ou menos tempo de estudo sobre uma interface QUALQUER, definimos Usabilidade.

De um modo mais formal, de acordo com a International Organization for Standardization (ISO):

"usabilidade é a medida pela qual um produto pode ser usado por usuários específicos para alcançar objetivos específicos com efetividade, eficiência e satisfação em um contexto de uso específico."

Veja!

a) Usuários específicos

Posso estar me referindo a indivíduos baixos, altos, deficientes, não deficientes, etc.

b) Objetivos específicos

Um objetivo pode ser "abrir uma janela", outro, "inserir uma ficha telefônica", ou mesmo, "acessar uma informação numa webpage".

c) Contexto de uso específico

Poderíamos estar nos referindo à janela de casa, que seria diferente da janela da escola, e assim por diante. Numa página de Internet, poderíamos estar acessando a mesma através de um notebook, de um desktop ou de um celular, por exemplo.

Portanto, concluímos que usabilidade é uma medida relativa. Um telefone público, instalado a 1,80 do solo junto a uma quadra de basquete, pode ter um alto grau de usabilidade para os jogadores, mas certamente, teria um baixo grau de usabilidade para cadeirantes.

 

Navegabilidade

Muita gente pergunta: qual a diferença entre navegabilidade e usabilidade?
Pense em termos de um web site! Para qualquer usuário, qualquer que seja o objetivo e o contexto, é fundamental que consiga navegar conscientemente (sabendo onde está e para onde vai). Podemos chamar isto de navegabilidade. Mas também estaríamos atendendo aos preceitos da usabilidade. Assim, a navegabilidade é um dos princípios da usabilidade.
Como dica de navegabilidade, considere: menos cliques e sequência lógica de navegação.

 

Acessibilidade

Numa única palavra: INCLUSÃO
Segundo o Dicionário Aurélio, Acessibilidade é a qualidade de ser acessível; facilidade na aproximação, no trato ou na obtenção.
Aplicada às páginas de Internet, acessibilidade é proporcionar condições para que usuários não específicos, ou seja, todos aqueles que desejarem o acesso, independentemente das suas condições sócio-culturais ou físicas, possam navegar, através dos mais diversos recursos tecnológicos, como computador, TV, celular, palmtop e o que vier por aí de novidade.

 

Design Universal
(Design Total ou Desenho Universal)

Retomando o Design Universal (Design Total ou Desenho Universal), definirei em duas palavras: INCLUSÃO TOTAL

Lousa com design universal

A primeira vez que me deparei com esse conceito, de Design Universal, foi na ocasião em que ministrei uma aula-teste de física para o cargo de professor, na Escola Suíço-Brasileira de São Paulo. Tinha 25 anos. Ao ter preenchido toda a ''lousa'' (quadro) com fórmulas e ilustrações, como de costume, e numa postura de descontração, apoiei a mão direita no "pára-giz" (aquela madeirinha que não deixava o pó de giz cair no chão) de modo a ficar de frente para a turma que, naquela aula-teste, consistia do diretor da escola, presidente e membros da associação, coordenador de física, coordenador do colegial, e uns 3 alunos "comuns"). Para minha surpresa, ao me apoiar no pára-giz, a lousa foi descendo.... (acho que na mesma proporção em que eu ia ficando ruborizado). Ela tinha altura regulável e, além de o professor poder usá-la na altura que desejasse, podia simplesmente deslocá-la, para cima ou para baixo, para apagar, sem nenhum esforço! Com anos de experiência em lousas gigantes dos cursinhos pré-vestibulares, não havia, ainda, tido contato com essa "lousa democrática".

O exemplo da lousa pretende despertar em você o sentimento do seria esperado do Design Universal (Design Total ou Desenho Universal).
Na verdade, é um conceito mais abrangente, que tem sua origem no chamado "design acessível" (mais restrito ao conceito de acessibilidade para pessoas portadoras de deficiências).

Portanto, quando pensar em Design Universal (Design Total ou Desenho Universal), pense em soluções que considerem, mais que acessibilidade:

Parece meio utópico, mas por que não buscar esse caminho, como o almejado pela gaivota do livro "Fernão Capelo Gaivota" de Richard Bach?
Ele sabia que não alcançaria a perfeição no voar, mas, mesmo assim, buscava por ela.
Fica aí, uma indicação de leitura para todos que pretendem atuar com design, qualquer que seja a especialidade.

Buscando a perfeição, já pensou se uma criação que atenda aos preceitos do Design Universal (Design Total ou Desenho Universal) for de baixo custo?
Nessa linha de pensamento, me ocorre um tema que estudei na década de 90: "personalização em massa".
De uma forma simplificada, algo feito "sob medida" para um indivíduo, com preço de produto padrão (feito em série), ou seja, de massa.

A idéia é tão antiga como atual, mas a definição "personalização massa", considero muito forte.
E como isso é possível? Pura análise combinatória. A partir de uma série de partes pré-fabricadas, obtemos uma quase infinidade de produtos, com as diversas combinações (claro, criteriosas), de modo que o produto final passa a ter cara de "único". Se você pensar, o que mais fazem os humanos, se não isso, ao criar?
Quando você compra uma cozinha "sob medida", onde o "projetista" distribui uma série de módulos pré-fabricados, o conjunto, devidamente instalado, tem cara de único.

E o que tem "personalização em massa" a ver com Design Universal (Design Total ou Desenho Universal)?
É sutil, mas pense: a tal da lousa, não era única? E cada professor, com sua respectiva estatura, não tem a sensação de ter a "sua própria lousa"? E o que custa menos para a escola, ao mesmo tempo em que atende a todos, uma lousa de altura regulável, ou diversas lousas, espalhadas pela sala? Talvez você até já tenha pensado numa 3ª solução...

Tenho que admitir que nem sempre se encontrará uma solução de baixo custo (massa) que atenda a todos. Mas não será esse caminho que buscam os criadores de Design Universal (Design Total ou Desenho Universal)?

Pois é, sempre me fiz aquela pergunta... Por que não fazer só a rampa. Afinal, quem sobe escada, sobe rampa. Quem sobe rampa, nem sempre sobe escada!

Acho que com essa "sacada" de "com uma cajadada matar um monte de coelhos", encontramos um novo nicho, tendo em vista que quando você faz uma coisa que era para poucos, agora, para muitos, o preço cai e a quantidade aumenta!

 

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